de Carlos Eduardo Felix

 

O Calvário está cheio de curiosos por todos os lados, que já viram muitas cenas como aquela da cruz. Outros já visitaram aquele lugar com lágrimas nos olhos e um coração partido.

 

Quantas mães já não derramaram lágrimas ao pé de uma cruz no Gólgota? Quantas vidas já não deram seus últimos suspiros naquele lugar? Quantos corpos não foram erguidos naqueles madeiros?

As mães procuravam evitar passar com seus filhos por aquele lugar frio e que cheirava à morte. Afinal de contas, ali era um lugar de execução.

Mas todos estavam lá. Seus olhos o procuravam como um animal procura sua caça: famintos (crucificá-lo era pouco), insatisfeitos (deram-lhe uma coroa de espinhos), desejosos (irão matá-lo), ferozes (o crucificarão).

Aquele não era mais um preso que seria levado à morte. Aquele não era mais um homem que sofreria a dor da crucificação. Esse era diferente de tantos que outrora usaram a cruz. Eles já haviam crucificado ladrões, assassinos, arruaceiros, inimigos do rei… Mas, um homem que se dizia o “rei dos judeus”? Não. Então, todos queriam ver o galileu.

O povo, que algumas horas atrás gritava: “Hosana o que vem em nome do Senhor “, é o mesmo que o acompanha até sua morte no Calvário.

As promessas de fidelidade se perderam nas atitudes de covardia dos discípulos: Pedro o nega; Natanael corre; Mateus se esconde; Tiago assobia como se não soubesse de nada. E Deus não o responde.

Mesmo sabendo de tudo isso ele veio.

Ele sabia dos cravos romanos que furariam sua carne. Ele viu o galho de espinhos crescendo e ficando forte, afiado o suficiente para cortar-lhe a cabeça. Enquanto estava no céu, fitava o carpinteiro que cortava o madeiro e fazia dele um instrumento de sacrifício.

Ele também já sabia do gosto amargo do beijo de Judas. Viu o coração escuro de cada um naquele monte. Ouviu sua própria oração, que seria feita mas não seria respondida.

Mas ele veio. Mesmo sabendo da angústia, ele veio. Mesmo conhecendo a dor, a vergonha, a humilhação, a falta de amor das pessoas, ele veio.

“A palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, a glória como do Unigênito vindo do pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Por que ele não ficou no céu? Porque sabia que precisávamos dele — que éramos ovelhas sem pastor, filhos que precisavam de um pai.

Estávamos perdidos, sujos pelo pecado, tristes, vazios, longe dele, e o maior motivo para ele ter vindo aqui foi você.

Por quê? É muito simples: definitivamente, sem nenhuma sombra de dúvida ou insegurança, ele ama você.

Da próxima vez que você se deparar com um problema aparentemente sem solução, lembre-se que pode ser melhor do que um que tenha uma solução, sua solução, mas que seja trazido pelo diabo. Confie em Deus, porque só ele pode virar o próprio problema numa solução — fortalecendo a nossa fé. Afinal, segundo o próprio Jesus a fé é a solução para o maior de todos os nossos problemas.

Para ele, você é a coisa mais importante de todo o universo, a criação mais perfeita. Afinal de contas, você foi feito à imagem e semelhança dele.

Para falar a verdade, Deus é vidrado em você.
Sorria; ou, se quiser, diga “Amém!”
Afinal de contas, esse amor é eterno.

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